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Eu estou de férias e posso afirmar que não há nada melhor que isso. Ficar sem fazer nada durante trinta dias e ainda ser remunerado por isso... Nossa, é tudo o que eu poderia querer! Salvem o Getúlio Vargas! Eu sempre fui um cara batalhador. Por opção, comecei a trabalhar cedo, pois nunca aceitei muito bem a ideia de pedir dinheiro e ter que explicar o porquê, a finalidade. Com quinze anos de idade ofereci-me para ser ajudante numa mercearia que ficava ao lado da minha casa. Tão importante quanto ter a minha pseudo independência financeira, já aos quinze anos, era trabalhar num serviço que não me impedisse de continuar estudando. E eu adorava aquele serviço! Como sempre fui muito metódico, nada poderia ser mais divertido que arrumar todos aqueles pacotes de arroz, feijão, açúcar, farinha, café, etc, deixando-os todos empilhadinhos e alinhados nas prateleiras. E eu refazia esse trabalho inúmeras vezes por turno. Era o máximo! Entretanto, ter nível superior e ser concursado sempre foram as minhas principais metas. Sempre temi o fantasma do desemprego, por isso fui em busca dos meus objetivos a fim de alcançar a tão sonhada estabilidade. Nunca foi fácil trabalhar e estudar simultaneamente, devo admitir, pois enquanto outros tantos adolescentes estavam em casa assistindo Malhação eu estava ralando. Eu sempre estudei em escola pública e tinha, talvez devido a essa realidade, consciência de que deveria me empenhar mais para competir com a concorrência que tivera a oportunidade de ter um ensino mais verticalizado. Claro que estudar em escola privada não é fator determinante para ser aprovado em concurso ou em vestibular de universidade pública, e eu sou prova disso, pois graças a Deus, ao meu empenho e apoio que recebi, sobretudo da Jéu, obtive essas duas vitórias, mesmo sendo oriundo da rede pública de ensino. Está bem, mas o cerne mesmo desse post, não é falar de trabalho e sim de descanso. Hoje pela manhã, após ter escutado no dia anterior uma declaração que me deixou no mínimo estarrecido, estava eu a cá a pensar naquelas pessoas que já trabalharam tanto, a vida inteira, e na hora em que, finalmente, deveriam pendurar as chuteiras optam por continuar trabalhando ao invés de aposentarem-se, por não saberem o que fariam com tanto tempo vago. Meu Deus, essas pessoas precisam de ajuda médica, espiritual, sei lá! Dê-me uma aposentadoria que eu te direi o que fazer com ela já! Se eu me aposentasse hoje viajaria o país inteiro, visitaria meus amigos e parentes com maior frequencia, faria um curso de artes plásticas, piano e canto, mudaria o corte de cabelo, quebraria todos os relógios da casa, queimaria as minhas calças e camisas de manga comprida, compraria uma casa de frente pro mar, criaria patos e faria uma horta. Passaria o fim dos meus dias com muita sombra, MPB, mar e água de coco. Ah! Buscaria também alguma ilusão qualquer que me fizesse flutuar e ser ainda mais feliz! Escreveria um livro, depois contaria estrelas e cataria conchas até chegar o fim. E “na próxima encarnação”, parafraseando o grande Itamar Assumpção, eu não ia querer saber de barra. Replay de formiga não! Eu ia querer é nascer cigarra! “E vamos que vamos!”