
Nem sempre gosto da imagem de bom moço que fazem de mim, pois ela me aprisiona, me impede de ser eu mesmo, de cometer enganos, de arriscar, por receio de decepcionar. Não que eu goste de cometer equívocos, não é isso. Mas posso afirmar que não é nada confortável tentar não ser humano, para continuar agradando. Incomoda-me muito, por exemplo, toda vez que alguém se choca ao ver as minhas tattoos e solta o já tão, por mim, conhecido texto: Nooossa! Mas pra que tanta tatuagem? Oxente, quem olha pra você, que te conhece, não diz que você tem seis tatuagens. Essas tatuagens não têm nada a ver contigo. Você é rebelde sem causa, é? (...) P**** meu! Cada um faz da vida, do corpo, o que quer. As tatuagens que faço, as coisas que como, visto, amo, ouço, transo, são problemas meu! Sempre quis me tatuar e quando resolvi fazê-lo, procurei o melhor estúdio, o melhor profissional, justamente por entender que tatuagem é arte e que manchar o corpo com qualquer porcaria não é legal. Será que essas pessoas me conhecem o quanto dizem conhecer? Se conhecessem lá no fundinho de mim, saberiam como sou de fato e que as minhas tattoos estão longe de serem sinônimo de rebeldia, mas sim de liberdade. Liberdade de mim mesmo, da casca que começa a apodrecer e a cair, para revelar quem sou realmente. E para aqueles que ainda não sabem e insistem em ser desagradáveis e indiscretos, lamento informar, mas as minhas tatuagens têm tudo a ver comigo sim. Cada uma delas tem um significado especial para mim, representam fases importantes da minha vida. Hoje, com quase 33 anos de idade, posso dizer que a prisão sem muros começou a ruir desde os 30. E o Meio Desligado é uma das formas que encontrei para ser quem sou, para expressar o que penso, para dizer o que me vem à cabeça, para extravasar. As frases de choque aumentaram consideravelmente, e não estou nem um cadinho preocupado com isso. Tenho seis tatuagens sim, farei a sétima em breve, e se farei a oitava quem poderá saber se farei? Nem eu. Estou vivendo a minha vida, só isso. Não que eu tenha me transformado num monstro egocêntrico e bruto, não é isso, o que me aconteceu é que não me apetece mais sustentar idealizações ou imaginários populares. Sou uma pessoa real, de carne e osso e com vontade própria. A transparência, a verdade e a sinceridade é que deveriam agradar aos outros e não a condescendência plena. E quanto a este post, ele é um desabafo sim e devo ainda salientar que a intenção não é aborrecer alguém, mas acordar outras.