quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Expondo alguns modos [Parte IV]




Eu canto, ouço, choro, me arrepio, me emociono,
Mas a minha voz cantada nem soa tão bem assim.

Eu sinto, vejo, penso, deduzo, interpreto,
Mas nem enxergo tão bem assim.

Eu piso, ando, chuto, tropeço, pulo,
Mas nem gosto de futebol assim.

Eu corro, pergunto, tenho pressa, quero saber,
Mas nada me interessa tanto assim.

Eu anoto, escrevo, telegrafo, assinalo, pontuo,
Mas nem domino minha agenda e compromissos tanto assim.

Eu planejo, projeto, faço pesquisas, comparo preços,
Mas nem executo tudo o que desejo tanto assim.

Eu somo, agrego, afiro, troco, empresto, confiro,
Mas nem uso tudo aquilo que compro tanto assim.

Eu amo, curto, convido, recebo, faço festa, sorrio, sou cortês,
Mas nem gosto de visitas tanto assim.

Eu disfarço, aparento, finjo, simulo, abafo, enlouqueço,
Mas continuo sendo o mesmo, sempre...

 

Reveja "Expondo alguns modos" partes I, II e III aqui


 

5 comentários:

  1. Um poeta entre nós!
    Gostei, vou ler as outras partes...

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  2. Oi,Sandes! Saudades de vir aqui e dos teus escritos, tão bom te ler e saber um pouco mais de ti em versos é algumas coisas estão em constante mutação,mas outras não mudam nunca.
    Beijosss

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  3. Muito bacana os posts anteriores e quando li o primeiro logo lembrei da frase do Caetano e tu postou ela no final, é definitivamente de perto ninguém é normal,nem de longe nem a meia distância,hihihihhi.
    Beijossss

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  4. Apesar de tudo nossa essência não muda nunca.
    Voltei.
    Grande abraço

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  5. Eu não saberia explicar, mas hoje de alguma forma você esteve presente no meu pensamento.
    Saudade deste cantinho!
    Beijo

    ladodeforadocoracao.blogspot.com

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